Quando a aposta deixa de ser diversão e se torna um problema

Especialistas alertam para os sinais da dependência em apostas online, que já afeta milhões de brasileiros e pode comprometer a saúde mental, a vida financeira e as relações familiares.

Quando a aposta deixa de ser diversão e se torna um problema
Imagem ilustrativa

As apostas esportivas e os jogos online ganharam espaço no cotidiano dos brasileiros com a popularização das plataformas digitais. O que para muitos começa como uma forma de entretenimento pode, em alguns casos, evoluir para um comportamento compulsivo, trazendo prejuízos emocionais, sociais e financeiros.


Segundo dados do Governo Federal, cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas em plataformas autorizadas durante 2025, sem considerar os sites clandestinos. Apenas no primeiro semestre daquele ano, o setor movimentou R$ 17,4 bilhões.


Para a psicóloga Luciane Assunção Martins, docente da Afya Bragança e especialista em avaliação psicológica, o principal sinal de alerta é quando a pessoa perde o controle sobre o tempo e o dinheiro destinados às apostas.

"Ela continua apostando mesmo diante de prejuízos financeiros, familiares e emocionais", explica a especialista.


Outro comportamento frequente é a tentativa de recuperar rapidamente o dinheiro perdido, aumentando o valor das apostas. Esse ciclo pode levar ao desenvolvimento de dependência, acompanhada de sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e necessidade de apostar cada vez mais para sentir a mesma satisfação.


Sinais de alerta


Familiares e amigos costumam perceber os primeiros indícios do problema. Entre os principais sinais estão:

Mentiras sobre o dinheiro ou tempo gasto em apostas;


Pedidos frequentes de empréstimos;

Atraso no pagamento de contas;

Endividamento oculto;

Isolamento social;

Abandono de atividades de lazer;

Queda no rendimento profissional;

Conflitos familiares constantes;

Mudanças bruscas de humor após perdas ou ganhos.


Quem corre mais risco?


Embora qualquer pessoa possa desenvolver dependência, levantamento do DataSenado aponta que o perfil predominante dos apostadores é formado por homens de até 39 anos, com renda de até dois salários mínimos.

Especialistas destacam que fatores como ansiedade, depressão, impulsividade, dificuldades financeiras e o fácil acesso às plataformas digitais aumentam a vulnerabilidade.


Tratamento pelo SUS

O Ministério da Saúde passou a tratar a dependência em apostas como uma questão de saúde pública e lançou, em 2026, um guia de atendimento para o Sistema Único de Saúde (SUS).


A orientação é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que poderá encaminhar o paciente aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O tratamento pode incluir Terapia Cognitivo-Comportamental, acompanhamento psiquiátrico e grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos.


Desde março de 2026, também está disponível um serviço de teleatendimento gratuito pelo aplicativo Meu SUS Digital, oferecendo autotestes, atendimento psicológico e encaminhamento para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).


Impactos financeiros


Além dos efeitos na saúde mental, o vício em apostas pode provocar graves consequências econômicas.


O advogado Kallil Sousa Silva, professor da Afya Redenção, alerta que a facilidade de acesso torna o problema ainda mais preocupante.

"Hoje, cada pessoa carrega um cassino no bolso e, em poucos toques, pode arriscar o próprio salário."


Dados oficiais apontam que, somente em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família movimentaram aproximadamente R$ 3 bilhões em plataformas de apostas.


Para pessoas em situação de vulnerabilidade financeira, o Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Afya Redenção oferece orientação jurídica gratuita relacionada a casos envolvendo apostas online e endividamento.


Fonte: Afya Educação Médica / Temple Comunicação.


Redação Portal Adonai do Socorro