PF investiga irmãos Coelho após apreensão de R$ 2,5 milhões em espécie em Belém
Vereador João Coelho e deputado estadual Adriano Coelho são apontados por suposta ligação com detidos em esquema de financiamento irregular de campanha.
Uma ação ostensiva da Polícia Federal no centro de Belém acendeu o alerta nos bastidores políticos do Pará nesta quarta-feira (16). A prisão de duas pessoas que deixavam uma agência bancária com R$ 2,5 milhões em cédulas revelou os primeiros fios de uma teia que pode envolver o deputado estadual Adriano Coelho e seu irmão, o vereador João Coelho. Segundo fontes ligadas às investigações apuradas pelo Grupo Liberal, a dupla interceptada com o montante ostenta laços diretos com os dois parlamentares, levantando a suspeita de desvio de dinheiro público para o financiamento clandestino de candidaturas.
A ascensão da família na cena pública paraense completou uma década e é marcada por movimentos estratégicos e patrimônios expressivos. Adriano deu a largada em 2016 ao conquistar uma vaga na Câmara Municipal da capital pelo PDT. Após uma suplência para a Assembleia Legislativa (Alepa) em 2018, assumiu o cargo de deputado estadual em 2021 com a saída de Dr. Daniel Santos para a Prefeitura de Ananindeua. Renovou o mandato no legislativo paraense em 2022 e, no pleito atual, busca dar um salto rumo a Brasília, concorrendo a deputado federal pelo MDB. Aos 37 anos, declarou à Justiça Eleitoral uma fortuna de R$ 71 milhões, diluída entre imóveis de alto padrão, terrenos, relógios e rendas fixas.
Seguindo os passos do irmão, João estreou na vida pública em 2020, eleito vereador de Belém pelo PTB. Sua trajetória, contudo, enfrentou percalços jurídicos: em 2024, teve o diploma cassado por decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reconheceu a prática de fraude à cota de gênero cometida por seu antigo partido. Sem recuar, voltou às urnas no mesmo ano, recuperou o assento na Câmara da capital — desta vez pelo PDT — e agora tenta migrar para a Alepa como candidato a deputado estadual. Com apenas 26 anos, o parlamentar reportou ao sistema DivulgaCand um patrimônio de R$ 52 milhões, listando fundos de investimento, frota de veículos e propriedades rurais e urbanas.
Enquanto os detidos prestam depoimento, a PF debruça-se sobre a rota do dinheiro para rastrear a origem exata dos recursos e consolidar a responsabilidade dos envolvidos no suposto esquema.
Redação Portal Adonai do Socorro