Arquiteto que criou o shopping moderno passou a criticar o próprio modelo anos depois

Idealizado para ser um espaço de convivência e integração social, o conceito acabou se transformando em um dos maiores símbolos do consumo no mundo.

Arquiteto que criou o shopping moderno passou a criticar o próprio modelo anos depois
Imagem divulgação

Em 1956, o arquiteto austríaco Victor Gruen inaugurou o Southdale Center, em Minnesota, considerado o primeiro shopping center totalmente fechado dos Estados Unidos.


Mas a proposta de Gruen ia muito além das compras. Refugiado da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, ele acreditava que os subúrbios americanos estavam perdendo seus espaços de convivência e imaginou um ambiente que funcionasse como uma praça pública moderna, onde as pessoas pudessem passear, encontrar amigos e participar da vida comunitária.


O projeto incluía jardins internos, áreas de descanso e um espaço protegido das variações climáticas. Ao mesmo tempo, porém, o ambiente foi concebido para ser totalmente controlado: sem janelas para o exterior, sem referências ao tempo ou ao clima e com iluminação constante, criando uma sensação de permanência.


O resultado foi imediato. As pessoas passaram a permanecer mais tempo nesses espaços e, consequentemente, a consumir mais. O modelo se espalhou rapidamente e inspirou milhares de shoppings ao redor do mundo.


Décadas depois, Victor Gruen passou a demonstrar frustração com o rumo tomado por sua criação. Segundo relatos, ele criticava o fato de muitos empreendimentos terem abandonado a ideia de convivência comunitária para focar quase exclusivamente em estratégias voltadas ao aumento do consumo.


A história do arquiteto se tornou um exemplo de como uma invenção pode ganhar proporções muito diferentes das imaginadas por seu criador, sendo moldada pelos interesses econômicos e pelas transformações da sociedade ao longo do tempo.


Crédito: Adaptado de Update Diário.